Em Faro há várias escolas de referência para a educação bilingue de alunos surdos, que pertencem ao Agrupamento de Escolas João de Deus: a EB1/JI Nº4 de Faro, com crianças de idade pré-escolar e do 1º Ciclo, a Escola de Santo António, onde estudam alunos do 2º e 3º Ciclos e a Escola Secundária João de Deus.
19 de fevereiro de 2013
Metamorfoses: A Menina do Mar
Nas aulas de Português lemos A Menina do Mar e, entre as propostas de trabalho, surgiu, claro, o desafio à Sara para que ilustrasse a história. Ela aceitou a proposta e fez isto:
6 de fevereiro de 2013
Testemunhos: Com as mãos no barro
No dia 29 de janeiro fomos ao Museu Arqueológico Infante Dom Henrique paricipar num workshop de olaria.
Eis os testemunhos dessa experiência:
Mas havia surdos distraídos, principalmente o João. A Leonor chamava a atenção em Língua Gestual mas o João não ligava. A Leonor pedia para se concentrarem.
O Ricardo explicou como fazer vela parecida com um sapato, um sapato parecido ao dos duendes. Os surdos disseram: Que está AQUI
- Ok!
Continuamos a trabalhar e o Ricardo a ensinar.
- Tu aprendes bem!
Depois a Inês sentou-se junto do Ricardo, na roda de oleiro. Com a mão no barro apertava para cima, e os surdos olhavam de queixo caído.
Então foi o Vasco para junto do Ricardo, fez um excelente trabalho!
Nova troca, eu estava sentado e o João distraído e eu chamei-o para ir tocar no barro. O João não queria, não queria sujar-se. Gostava de estar limpo, a Inês igual, mas eu não queria saber, não faz mal.
O João trocou com a Sara que foi para junto do Ricardo.
- E eu como faço?
- Ok!
Sentei-me e senti prazer.
Depois a Leonor ajudou-me a lavar as mãos.
O Ricardo disse:
- Adeus, gostei muito.
Nós voltamos para a escola.
Não sei bem o que senti, foi extraordinário. Foi uma sensação ótima, uma sensação nunca antes sentida foi do tipo ‘original’. Foi assim a minha reacção: Uau! Toquei com as minhas próprias mãos num feitiço… Foi mesmo maravilhoso! Arrancou-me uns sorrisos e algumas gargalhadas, fiquei mesmo muito espantada! Foi mesmo, mas mesmo, maravilhoso, não tenho palavras para descrever como me senti neste dia, naquele exato momento. É como se algo tivesse tocado a minha alma, ou mesmo eu tivesse ido com curiosidade visitar o paraíso, tocar o céu ou atravessar o arco iris! Foi espantoso, daria tudo pra repetir esta fantasia!
Inês Fernandes
Há cinco dias que não toco no barro, e pensei se a minha mãe e o meu pai, podiam comprar barro e uma roda de oleiro que é uma roda para trabalhar os barros, para eu poder tocar e brincar.
Aliás, preferia, no Verão, brincar com o barro.
- Simm!
- Então vamos aprender como fazer trabalhos com argila? Vamos tentar fazer bem?
- Ok!
Depois a mão furou a bola de barro. Eu gostei muito de aprender a trabalhar a argila.
Depois o homem disse:
- Todos vão decidir fazer chapéu, boneca, cogumelo…etc.
Então fomos experimentar a roda de olaria. A Inês disse:
- Uau!
Eu disse:
- Sinto-me muito bem, uau!
Depois na altura de ir embora o Ricardo perguntou se todos tinham gostado e todos responderam que sim.
Fim
Vasco Seromenho
O nosso monitor foi o sr Ricardo Lopes
que está AQUI
Eis os testemunhos dessa experiência:
- Bom dia, o meu nome é Ricardo, eu trabalho em olaria, sou um profissional.
Os surdos sentaram-se, o Ricardo ensinou como fazer bola de barro mesmo com a minha mão partida, pude com a outra mão esfregar na mesa. Mostrou a bola numa mão e a outra em B. Com o polegar fez-se um buraco na bola para dar inicio ao trabalho.
Todos decidimos fazer várias coisas, mas era difícil… O Ricardo ajudou o que foi bom.Mas havia surdos distraídos, principalmente o João. A Leonor chamava a atenção em Língua Gestual mas o João não ligava. A Leonor pedia para se concentrarem.
O Ricardo explicou como fazer vela parecida com um sapato, um sapato parecido ao dos duendes. Os surdos disseram: Que está AQUI
- Ok!
Continuamos a trabalhar e o Ricardo a ensinar.
- Tu aprendes bem!
Depois a Inês sentou-se junto do Ricardo, na roda de oleiro. Com a mão no barro apertava para cima, e os surdos olhavam de queixo caído.
Então foi o Vasco para junto do Ricardo, fez um excelente trabalho!
Nova troca, eu estava sentado e o João distraído e eu chamei-o para ir tocar no barro. O João não queria, não queria sujar-se. Gostava de estar limpo, a Inês igual, mas eu não queria saber, não faz mal.
O João trocou com a Sara que foi para junto do Ricardo.
- E eu como faço?
- Ok!
Sentei-me e senti prazer.
Depois a Leonor ajudou-me a lavar as mãos.
O Ricardo disse:
- Adeus, gostei muito.
Nós voltamos para a escola.
Fim
Délcio Viana
Délcio Viana
Não sei bem o que senti, foi extraordinário. Foi uma sensação ótima, uma sensação nunca antes sentida foi do tipo ‘original’. Foi assim a minha reacção: Uau! Toquei com as minhas próprias mãos num feitiço… Foi mesmo maravilhoso! Arrancou-me uns sorrisos e algumas gargalhadas, fiquei mesmo muito espantada! Foi mesmo, mas mesmo, maravilhoso, não tenho palavras para descrever como me senti neste dia, naquele exato momento. É como se algo tivesse tocado a minha alma, ou mesmo eu tivesse ido com curiosidade visitar o paraíso, tocar o céu ou atravessar o arco iris! Foi espantoso, daria tudo pra repetir esta fantasia!
Inês Fernandes
Quando eu toquei no barro, eu senti que o barro era macio, muito macio e a sensação era boa. Eu na minha vida nunca tinha tocado no barro por isso não sabia que era tão agradável. Depois, , no fim, apetecia-me tocar ainda mais no barro.
Há cinco dias que não toco no barro, e pensei se a minha mãe e o meu pai, podiam comprar barro e uma roda de oleiro que é uma roda para trabalhar os barros, para eu poder tocar e brincar.
Aliás, preferia, no Verão, brincar com o barro.
Eu construí os meus objectos, mas não tive jeito. Fiz dois copos pequenos, fechados, dois copos pequenos abertos e um chapéu. Mas, o mais horrível que eu fiz foi o chapéu que ficou todo torto.
Preciso praticar. Sara Romeira
Chegámos para experimentar a olaria e o homem disse:
- Bem-vindos, bom dia! Tudo bem?- Simm!
- Então vamos aprender como fazer trabalhos com argila? Vamos tentar fazer bem?
- Ok!
Depois a mão furou a bola de barro. Eu gostei muito de aprender a trabalhar a argila.
Depois o homem disse:
- Todos vão decidir fazer chapéu, boneca, cogumelo…etc.
Então fomos experimentar a roda de olaria. A Inês disse:
- Uau!
Eu disse:
- Sinto-me muito bem, uau!
Depois na altura de ir embora o Ricardo perguntou se todos tinham gostado e todos responderam que sim.
Fim
Vasco Seromenho
O nosso monitor foi o sr Ricardo Lopes
que está AQUI
29 de janeiro de 2013
Metamorfoses - Qual o sabor da Lua?
No ano passado esteve na nossa escola o contador de histórias Jorge Serafim que nos contou três histórias. Lemos uma delas, o conto "Qual o sabor da lua" que aqui apresentamos, na versão original e na da Sara que fez uma banda desenhada.
E com que talento! Vejam só!
Qual o sabor da Lua?
Há muito tempo os bichos queriam descobrir qual o sabor da lua. Seria doce? Ou seria salgada? Desejavam provar apenas um pedacinho dela. De noite, ficavam olhando para o céu, ansiosos. Esticavam o pescoço, as pernas e os braços, mas nem mesmo o maior deles conseguia tocar a lua.
Certo dia, a pequena tartaruga decidiu escalar a montanha mais alta e lá de cima tocar a lua.No topo da montanha, a lua ficava bem mais próxima, mas mesmo assim a tartaruga não conseguiu alcançar a lua. Ela chamou o elefante.
- Se você subir nas minhas costas, talvez a gente consiga alcançar a lua.
A lua pensou que aquilo fosse uma brincadeira. Quando o elefante se aproximou, ela subiu um pouquinho. O elefante não conseguiu tocar a lua e chamou a girafa.
- Se você subir nas minhas costas, vamos ficar mais altos.
A lua viu a girafa e subiu mais um pouquinho. A girafa esticou o pescoço mais alto que pôde, mas seu esforço foi em vão. Ela chamou a zebra.
- Se você subir nas minhas costas, talvez a gente consiga chegar bem perto dela.
A lua gostou da brincadeira e subiu mais um pouquinho. A zebra fez um esforço enorme, mas não conseguiu tocar a lua. Então chamou o leão.
- Se você subir nas minhas costas, provavelmente conseguiremos tocar a lua.
A lua viu o leão e subiu ainda mais um pouquinho: os bichos não conseguir
alcançar a lua e decidiram chamar a raposa para fazer parte do grupo.
- Se você subir nas minhas costas, é quase certo que conseguiremos - disse o leão.
A lua viu a raposa e de novo subiu mais um pouquinho. Agora faltava só mais um pedacinho bem pequeno para tocarem a lua, mas ela afastou-se um pouquinho mais, ficando fora do alcance dos bichos. A raposa chamou o macaco.
- Se você subir nas minhas costas, conseguiremos, com certeza, tocar a lua.
A lua viu o macaco e subiu ainda mais um pouquinho. O macaco até conseguiu cheirar a lua, mas não conseguiu tocá-la. Por fim, chamou o rato.
- Se você subir nas nossas costas, aí sim, chegaremos à lua.
A lua viu o rato e pensou: "Um bicho tão pequeno assim não me vai conseguir tocar".
Então ela resolveu não se mexer mais. O rato subiu nas costas da tartaruga, do elefante, da girafa, da zebra, do leão, da raposa, do macaco e ... mordeu um pedaço da lua. Saboreou uma parte e, em seguida, ofereceu um pedacinho ao macaco que passou para a raposa, que passou para o leão, que passou para a zebra, que passou para a girafa, que passou para o elefante, que passou para a tartaruga.
Para cada bicho, a lua tinha exatamente o sabor daquilo que cada um mais gostava.
Espantada, a lua subitamente diminuiu.
Nessa noite os bichos dormiram todos bem juntinhos.
E o peixe que tinha observado tudo, abria e fechava as guelras, sem entender nada: "Mas por que fizeram tanto esforço para alcançar a lua lá em cima no céu, se existe outra lua que não fica tão longe assim? Fica bem aqui em baixo, na água pertinho de mim. “
Michael Grejniec, editora Brinque-Book
Editorial
Olá amigos!
Embora com um enorme atraso, resultado da falta de saúde que tem apoquentado alguns de nós e também das complicações da burocracia que a todos afetam, cá estamos de novo cheios de vontade de recuperar o tempo perdido e partilhar convosco as nossas experiências e esperanças.
A redação foi renovada, já que os mais velhos saíram da escola e chegou a vez do grupo do 6º ano assumir as suas responsabilidades! Eles também começaram no sexto! Já não somos jardineiros, somos quase todos do Ensino Regular, embora contemos ainda com a colaboração da Débora e do João que são agora os surdos mais velhos da escola. E já sabem. contamos sempre com todos os surdos e os seus amigos, porque este blogue é para todos.
BOM ANO!
A Redação
Embora com um enorme atraso, resultado da falta de saúde que tem apoquentado alguns de nós e também das complicações da burocracia que a todos afetam, cá estamos de novo cheios de vontade de recuperar o tempo perdido e partilhar convosco as nossas experiências e esperanças.
A redação foi renovada, já que os mais velhos saíram da escola e chegou a vez do grupo do 6º ano assumir as suas responsabilidades! Eles também começaram no sexto! Já não somos jardineiros, somos quase todos do Ensino Regular, embora contemos ainda com a colaboração da Débora e do João que são agora os surdos mais velhos da escola. E já sabem. contamos sempre com todos os surdos e os seus amigos, porque este blogue é para todos.
BOM ANO!
A Redação
5 de dezembro de 2012
A visita do fotógrafo Paulo Casaca
Hoje foi um dia muito especial na Escola da Penha, em Faro.
As três turmas de alunos surdos (8 do Pré-escolar e 15 do 1º ciclo) receberam a visita de Paulo Casaca que, tal como eles, também é surdo.
Ele foi falar-lhes sobre a sua profissão: fotógrafo e colaborador da ACASO, em Olhão.
As crianças gostaram muito e colocaram várias questões sobre a profissão, mas também pessoais: como aprendeu a falar Língua Gestual Portuguesa (LGP), se a família dele sabia falar LGP, quantos anos estudou, se teve que se esforçar muito, como comunicava com as pessoas ouvintes...
O Paulo respondeu a todas as perguntas, com uma paciência e simpatia enormes.
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